Os livros de fevereiro

Marcos Augusto Gonçalves conseguiu uma pequena proeza em “1922, A Semana Que Não Terminou”: unir fluência narrativa com uma consistente pesquisa histórica. O resultado é um livro necessário para iniciantes no tema e interessante para os que se consideram entendidos.

Com base em ampla pesquisa, extensa bibliografia e entrevistas com especialistas, o livro – que também traz fotos e reproduções – o livro descreve as famosas jornadas que animaram o Teatro Municipal nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, durante o festival que ficou conhecido como Semana de Arte Moderna. Ao mesmo tempo em que reconstitui passo a passo o evento, o autor despe o episódio de mitos que o foram cercando ao longo do tempo.

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Durante a guerra franco-prussiana, dez moradores da cidade de Rouen, ao fugir do exército invasor, são reunidos ao acaso dentro de uma diligência. Junto a estes fugitivos está a prostituta Élisabeth Rousset, apelidada Bola de Sebo. A personagem, que encarna a figura do herói neste texto de Guy de Maupassant,  salvar a vida dos companheiros de viagem mas, quando lhes deixa de ser útil, volta a ser desprezada.

A morte do autor é tão digna de nota quanto sua obra. Depois de sobreviver a dois tiros de pistola que desferiu em si mesmo na tentativa de provar-se imortal, Guy fere-se na garganta com uma espátula pronto a se declarar invulnerável, mas o sangue jorra aos borbotões – e este foi seu fim.

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Leonard Cohen estava prestes a completar 30 anos quando escreveu “A Brincadeira Favorita”, livro de estreia do cantor americano que a Cosac Naify traz para o Brasil em edição – como de costume – bastante caprichada.

O leitor segue a trajetória de Lawrence Breavman, desde a adolescência em Montreal no final dos anos 40 a suas aventuras afetivas e literárias em Nova York, em meados dos 50. Nesse período, Lawrence perde o pai, elabora suas primeiras brincadeiras sexuais, afina a elegante ironia e as dúvidas existenciais com o amigo Krantz, enfrenta a loucura crescente da mãe, publica um bem sucedido livro de poemas, envolve-se com Tamara, Shell, Lisa, Wanda… até que um episódio trágico numa colônia de férias o faz repensar a vida.

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O novo tempo de Chico Buarque

Dia Voa” é o nome do documentário que foi postado no Youtube nesta segunda-feira pela gravadora Biscoito Fino. O filme revela os bastidores das gravações do último disco de Chico Buarque, “Chico”. Algumas passagens já rodaram a web, mas há trechos inéditos que apresentam novos olhares sobre o processo de composição do álbum.

A direção do documentário é de Bruno Natal. Dá uma olhada:

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O outro futebol do interior – Guaratinguetá x Corinthians

* por Rafael Michalawski

Ir a um jogo de futebol com os amigos é sempre divertido. Corinthiano que sou, estou acostumado a frequentar o Pacaembu e, claro, já fui ao Morumbi e ao Parque Antártica. Mas esta semana passei por uma experiência bem interessante. Em pleno aniversário de São Paulo, deixei a terra da garoa rumo à Guaratinguetá para assistir ao jogo do Timão contra a equipe da casa.

Esqueça de tudo o que você está acostumado com os jogos da capital. Interior é diferente.Vou tentar contar aqui algumas coisas muito engraçadas e curiosas que presenciei.

Quando o time local recebe um time grande, a cidade para em função dessa partida. Os ônibus de linha estampavam em seu luminoso a frase “Vai Guará”, intercalada com a mensagem do número e nome da linha. Chegando ao estádio os flanelinhas não dão trégua. Só que lá você só paga na saída. E acredite: eles estão lá na saída! Não abandonam seu pobre carro.

Dentro do estádio o time visitante tinha a maior torcida. A imensa maioria das pessoas estava na torcida pelo Timão. O campo também tem suas particularidades. Metade da arquibancada consiste em um verdadeiro barranco. Cuidado ao comemorar o gol do seu time: você pode levar um tombo. Por falar em gol, o placar do estádio é manual, de papel (conforme conta a foto). A cada gol, havia um cidadão que subia na escada e trocava o número do placar.

Terminada a pelada fomos embora, com as pernas doendo (obrigado sr. barranco !!). No caminho, os moradores das redondezas do estádio estavam sentados nas calçadas em cadeiras de praia observando o movimento e alguns até te desejavam “boa noite”. Pensei na hora em São Paulo, onde quem mora perto dos estádios tranca a porta e tira o carro da rua “por segurança”.

Recomendo a todos aqueles que gostem de futebol que, uma vez na vida, façam essa “aventura” e assistam a uma partida do seu time do coração numa cidade do interior de São Paulo. Se você não quiser se deslocar muito, pode ir até na Rua Javari na Mooca assistir a um jogo do Juventus. Mas, essa história fica para um próximo relato …

Rafael Michalawski é jornalista de formação, habitante clássico da Mooca, habitué de formaturas, festas de casamento e chás de bebê e um torcedor respeitvavelmente fanático pelo Corinthians.

Ele escreveu esse texto a convite do Pitacos Perdidos. Aqui você encontra mais trabalhos assinados por ele: http://pitacosperdidos.wordpress.com/author/rafaelmsp/

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Céu no Retrovisor

Céu - Caravana Sereia Bloom

Saiu ontem o primeiro clipe do novo álbum da belíssima cantora Céu, “Retrovisor”, que abre os trabalhos do terceiro álbum da paulistana Maria do Céu Whitaker Poças. O novo disco se chama Caravana Sereia Bloom e chega às lojas no próximo dia 14 de fevereiro, com a promessa de superar em qualidade seus dois trabalhos anteriores, o auto-intitulado Céu (2005) e Vagarosa (2009).

O clipe tem direção de Renan Costa Lima e Ivo Lopes Araújo, o segundo também diretor de fotografia, e figurino de Isadora Gallas. Retrovisor foi todo filmado na região de Vila Velha, na Ilha de Itamaracá, no litoral de Pernambuco, cerca de 50km da capital Recife.

Logo acima você vê a capa (meio óbvia, não?) de Caravana Sereia Bloom e abaixo você assiste a Retrovisor, primeiro clipe do novo álbum de Céu.

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Catacumbas #09 – Sleater-Kinney ao vivo no Coachella 2006

Sleater-Kinney em 2006

“Essa música é sobre um colapso nervoso, só que ao contrário”

Por doze anos não houve no mundo uma só banda formada por mulheres com tanta relevância e que tenha sido tão cultuada por sua qualidade técnica quanto o Sleater-Kinney. Formado em 1994 na pequena Olympia, no Pacific Northwest americano, o power trio comandado pela genial dupla de guitarristas Corin Tucker / Carrie Brownstein lançou sete álbuns de estúdio e mostrou seu valor entre as plateias punk, grunge, college rock e indie, passando toda a sua história como referência no cenário do rock alternativo estadunidense.

Complexo e certeiro, inventivo e de apelo, absolutamente irretocável e muito bem tocado, o som da banda evoluiu brilhantemente com o passar dos anos. Sempre mudando de disco para disco, a sonoridade do Sleater-Kinney transcendeu todos os limites de estilo e colocou as moças no panteão do rock mundial, mesmo sem que a banda explodisse como fenômeno midiático. Elas sobreviveram a avalanche iniciada por Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden, escaparam da absorção pela indústria cultural e evitaram o fim trágico que aconteceu com muitos de seus pares e grupos de sua geração.

Em 2006, na turnê de despedida da banda, as garotas se apresentaram como uma das atrações principais do tradicionalíssimo festival Coachella, em Indio Valley, na Califórnia. Ali, Carrie, Corin e a baterista Janet Weiss tocaram 11 músicas em uma performance incendiária que deixou todos os presentes de queixo caído. Em um ano em que Madonna encerrou o festival, o trio do estado de Washington mostrou como uma verdadeira riot grrrl se comporta diante de uma multidão. No palco do festival mais popular dos EUA, o trio mandou toda a potência disponível em seus amplificadores, derretendo as faces de todo mundo que encarou de perto o show da banda.

No player abaixo você vê o clássico “Get Up”, do mais cultuado entre os discos do Kinney, The Hot Rock, de 99. Clicando aqui você assiste ao show inteiro da banda no Coachella 2006, que eu compilei em uma lista do YouTube para facilitar (já que o WordPress não me deixa colar o playlist diretamente aqui no blog).


Show completo

Setlist:

1 – What’s mine is yours
2 – Jumpers
3 – Rollercoaster
4 – Sympathy
5 – Oh!
6 – The fox
7 – Get up
8 – Modern girl
9 – Step aside
10 – Let’s call it love
11 – Entretain

Luiz Filipe é fã de carteirinha das moças do Sleater-Kinney e espera ansiosamente que Carrie Brownstein cumpra a promessa de reunião da banda que ela fez em uma entrevista no ano de 2010. Ele está sempre atrás de shows e filmes de música para postar aqui e no seu Twitter (Polaco_)

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Os livros de janeiro

O Pitacos Perdidos escolheu o primeiro mês de 2012 paa iniciar uma nova seção, a de lançamentos literários. Nossa intenção não é reunir o maior número de títulos em uma lista fria, mas destacar algumas obras relevantes que estão chegando ao mercado brasileiro.

Então aí vai:

Lançado em 2002, “Diário de Oaxaca” chega às livraria brasileiras com atraso de 10 anos. A obra de seu autor, o neurocirurgião britânico Oliver Sacks, frequentemente trata de histórias médicas narradas de forma saborosa, mas aqui o assunto é outro: samambaias. Sacks embarca com um grupo de alucinados por plantas numa excursão ao estado mexicano de Oaxaca, onde vicejam espécies raríssimas. Sobram observações sobre as maravilhas que os conquistadores espanhóis conheceram na região, como o tabaco, o tomate, as pimentas, o milho e o chocolate, recheado com graúdas pitadas de confessionais.

Editora: Companhia das Letras

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Publicada originalmente de forma seriada num jornal italiano, As Aventuras de Pinóquio é uma verdadeira redescoberta da famosa história do boneco de madeira. A tradução de Ivo Barroso une agilidade e fidelidade e completa-se de forma especial com as ilustrações do brasileiro Alex Cerveny. Ele usa a técnica cliché verre, do final do século XIX (contemporânea ao livro), na qual se chamusca uma placa de vidro com uma vela e desenha-se rapidamente sobre esta superfície com um objeto pontiagudo. O resultado são imagens oníricas de um Pinóquio nunca antes imaginado.

Editora: Cosac Naify

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Sob quase todos os aspectos, Elis Regina foi a mais importante cantora brasileira. Por isso é de se comemorar a reedição de “Furacão Elis”, a biografia póstuma da cantora que foi escrita por Regina Echeverria em 1985. Esta nova edição apresenta formato de revista e teve seu conteúdo atualizado pela autora. A morte de Elis, considerada polêmica até hoje, é tratada por Echeverria com sobriedade. Para ela, não há dúvidas que Elis foi vítima de uma  uma overdose de cocaína.  Apoiada principalmente por relatos e depoimentos de amigos e familiares, a obra conta também com imagens inéditas.

Editora: Leya

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Sinuca Embaixo D’Água – morte e vida de Antônia

Você pode ser culto e ler T.S. Elliot enquanto desliza de patins pela cidade. Ou o maior e mais temido rebelde de condomínio fechado. Você pode até ser dono de um dos bares mais sujos de que se teve notícia; você pode ser jornalista-eu-já-vi-de-tudo-nessa-vida, pode ser publicitário-tudo-é-marketing. Mas não importa, porque de morte você não entende nada.

E a morte fica ainda mais estranha quando o sujeito percebe que a vida não se incomoda  nem um pouco com ela. Pelo contrário, faz questão de seguir seu curso normalmente como quem quebra um pote de maionese no supermercado e continua empurrando o carrinho. E então nós, pobres sobreviventes, temos de seguir andando, mesmo com os pés pesados e os pensamentos confusos.

É impossível viver após a morte. Em qualquer sentido que você empregue esta frase, para vivos ou mortos, ela sempre será verdadeira.

É um pouco disso – e de muito mais – que se trata o livro “Sinuca Embaixo D’Água”, de Carol Bensimon, uma guria esperta de Porto Alegre que vai dando pinta de grande escritora. Depois da morte de Antônia, três pessoas se vêem na difícil situação de superar sua ausência: Camilo, o irmão porra louca, Bernardo, o melhor amigo, e Polaco, o dono do bar que todos freqüentavam.

A morte os rodeia o tempo todo e vai além do falecimento de Antônia: Polaco está prestes a perder seu boteco que sempre esteve com os dias contados; Bernardo vê sua  crença em Antônia empalidecer; Camilo passa pelas páginas como um furação, mas percebe-se mais morto do que vivo. E ali estão o lago abandonado, a jornalista sem vida social, o publicitário esmagado pelas obrigações profissionais.

Eles estão vivos – mas não estão, de certa forma, todos mortos?

A narração é dividida entre os três protagonistas e mais quatro figuras secundárias. Carol escreve como se lesse os pensamentos de cada um dos personagens, o que entrega ao leitor uma sensação não de acompanhar os caminhos, mas de estar dentro da personagem. É especialmente interessante a engenhosidade com a qual ela consegue tornar épicos os momentos mais simples (Polaco atendendo o Bigode, Camilo entrando no restaurante da estrada, Bernardo esperando a turma do hockey), em um texto que emana liberdade como a de um pai que gosta de deixar suas filhas, as palavras, brincarem como quiserem.

Neste vídeo, Carol conta um pouco sobre a ideia do livro e lê trechos da obra:

Clique aqui para ler a ótima coluna da Carol no blog da Companhia das Letras.

Aqui você pode comprar o livro, e aqui conhecer mais sobre a autora.

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