*por Rafael Zito
- jornalista e corintiano
– responsável pelo blog Esporte Jornalismo
- @rafazitosccp
Atualmente jornalista formado, confesso que a escolha pela profissão se deu devido ao amor que tenho pelo esporte, pelo futebol e, principalmente, pelo Corinthians. Como torcedor do Timão tive vários momento de alegria e alguns de tristeza. Apesar de ter acompanhado o título do Mundial de Clubes de 2000, o tricampeonato brasileiro (98, 99 e 2005) e os três títulos da Copa do Brasil (95, 2002 e 2009), os dois jogos que mais me marcaram foram: a segunda partida da semifinal do Campeonato Paulista de 1998, diante da Portuguesa;, e a eliminação para o Palmeiras na semifinal da Copa Libertadores de 2000.
Vitória
O primeiro jogo inesquecível para mim aconteceu no dia 26 de abril de 1998. Após um empate por 1 a 1 no primeiro duelo da semifinal diante da Lusa, o Corinthians precisava de apenas um empate para avançar à decisão. Na ocasião, com 12 anos de idade, o garoto vivia o crescimento de seu fanatismo pelo clube do coração. Neste jogo, ainda na primeira etapa, Ailton fez 1 a 0 para a Portuguesa. No começo do segundo tempo, Marcelinho Carioca empatou de pênalti, marcado pelo árbitro argentino Javier Castrilli em um lance que Evair segurou Rincón dentro da área.
Com 1 a 1 no placar, a vaga estava nas mãos do Timão. Porém, por volta dos 31min da etapa final, a Lusa marcou o segundo gol, em lance que o atacante Da Silva estava impedido quando desviou uma cobrança de falta. Desesperado e temendo a eliminação de seu clube, o menino que vos escreve ajoelhou no chão e começou a chorar copiosamente. Recordo-me até hoje do sentimento de tristeza e sofrimento que me assolava.
No entanto, Castrilli marcou equivocadamente um pênalti a favor do Corinthians, aos 45 do segundo tempo e, antes mesmo da cobrança de Rincón, já comecei a comemorar. Havia uma certeza de que o colombiano não me decepcionaria. O volante correu para a bola, chutou, saiu para comemorar e me proporcionou uma das maiores alegrias do, então, garoto torcedor.
Derrota
O Corinthians também foi o responsável por um dos meus momentos de maior sofrimento. Em 2000, com 14 anos que acabara de completar, vi meu time ser eliminado na semifinal da Libertadores pelo Palmeiras, o maior rival. Depois da vitória por 4 a 3 no primeiro duelo e de completar 14 anos no dia 02 de junho, estava esperançoso e extremamente confiante na vaga para a final do torneio Sul-Americano.
Porém, o dia 06 de junho de 2000 chegou e é, até hoje, o dia mais triste da minha vida. A derrota por 3 a 2 no tempo normal e 5 a 4 nas penalidades, me abalou de tal forma que minha relação com o futebol se modificou após essa data. Fiquei aquela noite inteira chorando e querendo que, no momento que caísse no sono, o tempo voltasse e o jogo recomeçasse.
Aquele garoto perdeu o fanatismo doentio e passou a observar o futebol de outra maneira. O amor e a paixão pelo Corinthians prosseguem, mas a relação alucinada e irracional ficaram enterradas junto com o dia 06 de junho de 2000. O garoto que tinha uma camisa da sorte, que enchia bexigas em casa e que, certa vez, chegou a amassar a televisão de sua casa com um soco se transformou em um cara um pouco mais racional. Aquele jogo está na minha história e não há como negar isso. Aquele Corinthians, que era melhor do que o Palmeiras, foi eliminado de forma inesperada na minha visão. Aquela eliminação é, até os dias de hoje, inexplicável para mim e, ao mesmo tempo, o momento de maior lamentação e infelicidade que já vivenciei no futebol e, sem exageros, na minha vida.

Lance que Evair segurou Rincón na área ou toque de mão inexistente de César?
Parabéns pelo texto!
Fala, Zitão, tá bom velho??
Primeiramente, parabéns pelo texto. Se o seu objetivo era transmitir emoção, de fato, conseguiu.
Bom, respeitando todos os sentimentos e todas as pessoas, e entendendo que cada um é de um jeito, permita-me esboçar uma opinião diferente.
Apesar de todo o amor que eu sinto pelo meu time, o culpado pela noite mais difícil da sua vida, acho que o futebol é muito pequeno para trazer a maior alegria e/ou o pior dos momentos para alguém.
Mas é compreensível. Futebol é paixão, não tem jeito.
Falando nisso, saindo do Pacaembú domingo, eu vi aquele japonesinho que chorou e chutou tudo no Palmeiras x Goiás. Tava com uma cara triste também, tadinho. Mas ele vai sorrir ainda.
Abraços. Tudo de bom.
A vitória que mais marcou pra mim foi a final contra o Cruzeiro em 1998, 2 a 0 pro Timão.
E essa derrota na Libertadores em 2000, o jogo foi no dia do meu aniversário. Difícil. Até hoje estou atordoado.
Valeu Rafael, abs!
Cara. Primeiro parabéns pelo texto …. Já que nossa paixão é a mesma, o Todo Poderoso, vou concordar contigo quanto à maior derrota. Até hoje não acredito que perdemos aquele jogo da porcada. Éramos melhores, talvez tivessemos sido campeões e deixaríamos de escutar tantas piadas que ouvimos até hoje.
Quanto à maior vitória, para mim, sem a redudância da importância do título, mas foi a final do Mundial em 2000. Lembro que estava com a família e uns amigos na Praia Grande. Estava tão nervoso que não conseguia segurar um copo de água, de tanto que eu tremia. Confesso que achei que iria enfartar naquele dia ….
Absss